sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Sobre Política e Aranhas

Estava pensando sobre política. E depois de algumas reflexões, cheguei a conclusão que o "fazer" política é parecido ao processo das aranhas em "fazer" a teia. E depois, pesquisando sobre como as aranhas constroem suas teias percebi que existe um tipo de aranha que caracteriza a política atual: é a viúva-negra. Ela produz um tipo de teia com desenhos irregulares, difíceis de se identificar. Totalmente individualizada.

Não se parece geometricamente com uma construção. Exatamente como na política atual. Não estamos construindo nada para o coletivo. Cada construção da teia política é pensando na projeção política “teiológica” de cada um. Existem algumas raras, raríssimas exceções.


Bem, temos outro tipo bem conhecida, a chamada aranha caranguejeira, produz a teia densa e no chão que serve como esconderijo. Todas tem um objetivo, prender suas presas, morar nelas e ter um ninho nupcial. Há algo na política que passa por esse processo, primeiro você tem um processo de encantamento, enamorarmento, passa a “fazer” a política por ideologia, utopia, sonhos, bem coletivo, lutar pelos menos favorecidos, pela poesia da política, depois alguns começam a morar nessas teias, começam a gostar, percebe que muitos sonhos são irreais nessa empreitada.

O que vale mesmo é a negociação, é jogar o jogo que rola, e aí começa a fazer o processo de mumificação das ideologias e tudo o que regia a política ideológica, o bem comum. E passamos para o processo de identificação com os que antes não fazem parte da nossa teia porque temos que fazer parte do processo. Temos que operacionalizar. Então vamos tecer como as viúvas-negras. Traficar influência, negociar postos de trabalhos, favorecer possíveis cabos eleitorais, e muitas ferramentas operacionais que antes não constavam em nosso “modus operandi”.


Por fim, as coitadas das aranhas e suas teias devem estar tristes agora pelo fato da comparação.

por Flávia Amâncio - Educadora de Conceição do Coité- BA, formada em Letras (UNEB) e Pós Graduada em Estudos Literários (UNEB).




quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Por um Brasil literário

A literatura nos abre mundos. Lendo é possível estabelecer uma profunda relação de intimidade entre o leitor, o escritor e os seus personagens. Ao abrir um livro, uma nova história começa sob a perspectiva de quem o lê. A leitura literária possibilita o exercício da liberdade, abre espaço para a fantasia e o poder de criar. É capaz de abrir um diálogo entre o vivido e o sonhado, de acolher as inquietudes e incluir as diferenças, como mostra o Manifesto por um Brasil literário. Na recomposição do sentido da vida, no resgate capaz de gerar outra vez emoção e na manutenção da memória de quem somos, a leitura literária pode exercer sua função social.

Por isso, estamos celebrando o primeiro ano do Movimento por um Brasil literário. Foi em julho do ano passado, durante a Festa Literária Internacional de Paraty, na Casa de Cultura, que tornou público este movimento, com a leitura pública do Manifesto por um Brasil literário, de autoria do poeta Bartolomeu Campos de Queirós. Nesse primeiro período, trabalhamos pela consolidação do movimento e fomos aos poucos descobrindo a sua natureza e o seu papel. Seguimos nessa mesma busca, sabendo o quanto caminhamos, mas tendo também a certeza de que há muito o que avançar. Temos hoje mais de 4 mil adesões no site e 1.200 seguidores no twitter; agregamos novos parceiros institucionais; contamos com a participação de escritores, professores, representantes do setor público, da sociedade civil e bibliotecários; estamos construindo uma ação junto a jornalistas para qualificar a cobertura sobre a promoção da leitura e colhemos depoimentos para uma campanha nacional de incentivo à leitura literária, além de reunir material para um documentário sobre esse tema.

A Flip deste ano, parceira do Movimento por um Brasil literário, abre outra vez espaço para as discussões sobre a importância da leitura de literatura. Teremos uma casa no centro histórico de Paraty especialmente destinada a esse debate. E o documentário produzido será lançado no próximo dia 5 de agosto, na Casa de Cultura de Paraty. Continuamos estruturando o Movimento por um Brasil literário – é um processo que não cessa – e esperamos ajudar a fortalecer e a expandir o Brasil leitor que queremos. Quanto mais pessoas se juntarem a esta causa, mais força e forma ela terá. E estamos abertos às contribuições. Porque, como diz Bartolomeu, “uma democracia se estabelece quando as diferenças convivem em igualdade de direitos e deveres, sem ignorar a imensurável capacidade criadora que move todos os humanos. Na leitura literária, os leitores, movidos pela emoção, passam a perceber a poesia que circula no mundo, como estendem sua poesia ao mundo. Na experiência da leitura também o leitor é criador.” Por acreditar que a leitura literária permite dar sentido às experiências sociais, como um espelho de nós mesmos, por compreender a relevância de se investir no comportamento leitor e por sermos um movimento, tudo o que pensamos na perspectiva de promover a dignidade dos homens e mulheres – e que tem a leitura literária como objeto – pode se associar a esta ação política.

Agradecemos a cada um que participa desta causa e esperamos juntos ampliar a nossa atuação e a incidência dessas ações, por sonhar um país mais digno e mais justo em cujo acesso aos livros de literatura esteja garantido.

Muito obrigada,
Maria Carolina Trevisan

Movimento por um Brasil literário

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Leite, Saúde e Infância


Semana Mundial do Aleitamento Materno

da Agência Brasil
Paula Laboissière

Brasília - A amamentação exclusiva até os 6 meses de idade e complementar até os 2 anos poderia salvar a vida de 1,5 milhão de crianças anualmente em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A estimativa é que apenas 35% das crianças com até 6 meses de vida recebam exclusivamente o leite materno.

Na Semana Mundial da Amamentação, o órgão divulgou que mais de dois terços das 8,8 milhões de mortes anuais de crianças menores de 5 anos são provocadas pela subnutrição. A doença está associada, inclusive, a práticas de alimentação inadequadas, como a mamadeira, nos primeiros cinco meses de vida.

De acordo com a OMS, aumentar os índices de aleitamento materno é a chave para melhorar a nutrição de crianças em todo o mundo. Os hospitais que receberam o título de Amigos da Criança, segundo o órgão, têm o potencial de oferecer a milhões de bebês um início de vida mais saudável.

No Brasil, uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde revela que os bebês nascidos nessas instituições mamam por um período maior do que as crianças nascidas em outras maternidades. Atualmente, 335 hospitais brasileiros têm o título, conferido pela OMS em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

O leite materno é considerado pela OMS como o alimento ideal para recém-nascidos e crianças pequenas. Ele é seguro e oferece ao bebê todos os nutrientes que precisa para um desenvolvimento saudável, além de conter anticorpos que protegem as crianças de doenças comuns na infância.

De acordo com o órgão, a falta de orientação e de apoio por parte de profissionais de saúde é uma das razões que levam mães a interromperem a amamentação poucas semanas após darem à luz.

Edição: Lílian Beraldo

Confira também matéria da Rádio ONU e entrevista com a ginecologista-obstreta, Hsiang Chen

Ficha Limpa e Responsabilidade Social

Ethos convida empresas a participar do site Ficha Limpa

Uma grande mobilização popular impulsionou o Congresso Federal a aprovar, em 4 de junho de 2010, a Lei Complementar nº. 135, mais conhecida como Lei da Ficha Limpa, sobre a vida pregressa dos candidatos. Também por pressão da opinião pública, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela vigência dessa legislação já a partir do pleito de 2010. No entanto, a sociedade quer mais. Quer acompanhar a campanha de cada candidato, examinar as informações cadastradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), comentar aspectos de cada campanha. Enfim, exercer controle social, ampliar sua participação no processo eleitoral e valorizar seu voto. Por isso, a Articulação Brasileira Contra a Corrupção e a Impunidade (Abracci), o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e o Instituto Ethos lançaram nesta quarta-feira (28/7), em São Paulo, e na quinta-feira (29/7), em Brasília, o site Ficha Limpa.

O site apresenta um cadastro voluntário e positivo de candidatos que atendem à Lei da Ficha Limpa e se comprometem com a transparência de sua campanha eleitoral. Isso significa que, além de estarem se posicionando de acordo com a lei, esses candidatos se dispõem a ir além da lei, assumindo um compromisso a mais, o de proceder à prestação de contas de sua campanha eleitoral, informando semanalmente a origem e o montante dos recursos obtidos, bem como os gastos realizados.

Pela legislação eleitoral, o candidato só precisa prestar contas aos tribunais eleitorais trinta dias após o término do pleito. O site Ficha Limpa vai além da lei ao demandar que essas informações financeiras sejam atualizadas semanalmente.

As informações dos candidatos cadastrados no site Ficha Limpa estarão disponíveis para acesso de qualquer internauta, por um sistema de busca que pode combinar filtros como nome, número no TRE, idade, gênero, cor ou etnia, cargo a que concorre, Estado e partido.

O site também permitirá ao internauta questionar o teor das informações dos candidatos ali registrados, mediante a apresentação de documentos comprobatórios. As possíveis denúncias serão recebidas pelo administrador do site e encaminhadas aos órgãos competentes. Para questionamentos em geral ou referentes a candidatos não cadastrados no site, haverá a área de links úteis, com acesso direto a outros canais públicos de denúncia.

“Sem um controle social democrático, a Lei Ficha Limpa pode acabar no esquecimento, como tantas outras boas legislações no Brasil”, avalia o presidente do Instituto Ethos, Oded Grajew. “Por isso, é importante que o eleitor cobre de seu candidato o registro no site Ficha Limpa, acompanhe as informações e mobilize outras pessoas a fazer o mesmo em relação aos demais candidatos”, salienta ele, que pergunta: “Qual dos inúmeros escândalos do país não tem sua origem no financiamento político de campanha?”

Vale lembrar que as punições previstas na Lei da Ficha Limpa vão de multa (entre R$ 1.000 e R$ 50 mil) até a cassação do próprio mandato, se o candidato for eleito, caso a Justiça considere que houve informações incorretas a respeito de sua vida pregressa, da origem de seus recursos e dos seus gastos de campanha.

O site Ficha Limpa entra no ar a partir de quinta-feira (29/7), pelo link www.fichalimpa.org.br ou pelo link www.fichalimpaja.org.br.

O Instituto Ethos solicita às empresas que participem desta iniciativa e a divulguem a seus públicos de relacionamento. A sociedade brasileira, que se envolveu nesse exercício de cidadania e conquistou um marco histórico para a democracia e o combate à corrupção, quer agora fazer “pegar” a Lei Ficha Limpa e, nas eleições de 2010, espera romper uma longa série de impunidades na política nacional.

As organizações que tiverem interesse em veicular em seu site institucional um banner com link para o site Ficha Limpa podem solicitá-lo, por e-mail, para betina@ethos.org.br.

A Abracci está enviando aos candidatos e partidos um comunicado divulgando informações sobre a iniciativa e explicando como se cadastrar. Acesse aqui o comunicado ao candidato e o comunicado aos partidos políticos.

Por Cristina Spera (Instituto Ethos)

Legenda da foto: Oded Grajew, presidente do Instituto Ethos, durante o lançamento do site.
Crédito: Luciana de Souza Aguiar

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O que caracteriza o trabalho escravo hoje no Brasil?

Estima-se que hajam 25 mil vítimas do trabalho forçado no país

Paula Sato (Paula Sato)

Mão de Lazo, de 67 anos, escravizado numa fazenda do sul do Pará. Foto: Ricardo Stuckert
Mão de Lazo, de 67 anos, escravizado numa
fazenda do sul do Pará. Foto: Ricardo Stuckert

Para o artigo 149 do Código Penal brasileiro, o crime de escravidão é definido como "reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto". Já a Organização Internacional do Trabalho (OIT), tipifica a prática como "todo trabalho ou serviço exigido de um indivíduo sob ameaça de uma pena qualquer para o qual não se apresentou voluntariamente". Ou seja, na escravidão moderna não há tráfico nem comercialização, como acontecia na época colonial, mas a privação da liberdade continua sendo a principal característica da prática. Luiz Machado, responsável pelo Projeto de Combate ao Trabalho Escravo no Brasil da OIT, acredita que as condições atuais são ainda piores do que as sofridas pelos negros até o século 19, "hoje em dia, o indivíduo é descartável. Se um trabalhador fica doente ou morre, é fácil achar outra pessoa que vai se submeter a isso. Antigamente, os negros podiam ser castigados fisicamente, mas eram bem alimentados, já que um escravo saudável e forte era muito mais valioso".Segundo estimativas da OIT, em 2005 havia 12.3 milhões de vítimas do trabalho forçado no mundo, 77% delas na Ásia. No Brasil, os números também não são animadores. Segundo cálculos da Comissão Pastoral da Terra, existem no país 25 mil pessoas submetidas às condições análogas ao trabalho escravo. Entre 2004 e 2008, o Ministério do Trabalho resgatou 21.667 trabalhadores nessa situação. Nesses casos, o empregador é obrigado a pagar indenização aos ex-funcionários, que também recebem seguro-desemprego por três meses.

(Fonte: www.revistaescola.abril.com.br)